A
pré-campanha ao Governo do Maranhão entrou definitivamente em uma nova fase
neste fim de semana, marcada por um movimento político simbólico e de forte
impacto nos bastidores: após a direção nacional do Partido dos Trabalhadores
bater o martelo pela manutenção da pré-candidatura do vice-governador Felipe
Camarão, importantes quadros do chamado grupo dinista começaram a abandonar,
ainda que silenciosamente, as “águas camaronesas” para surfar nas já agitadas
“ondas braidistas”.
O
gesto mais eloquente dessa inflexão veio com a presença dos deputados estaduais
Carlos Lula e Júlio Mendonça em agendas de pré-campanha de Eduardo Braide pelo
interior maranhense fato que, na leitura dos observadores políticos, representa
mais do que mera cortesia institucional: trata-se de um recado direto ao
Palácio dos Leões e, sobretudo, ao núcleo petista que ainda tenta sustentar
Felipe Camarão como nome competitivo para 2026.
Carlos
Lula acompanhou Braide em compromisso político em São Domingos do Azeitão, no
sul do estado, nas festividades do “Azeitão Folia” juntamente com o prefeito
Lorival Leandro dos Santos Júnior o Junior do Posto do PP.
Em uma outra agenda, Júlio Mendonça esteve ao
lado do ex - prefeito da capital em Matinha, na Baixada Maranhense, vizinha de
sua cidade Viana, na festa de aniversário do aliado político de Mendonça quem
ele o chamou de “o próximo prefeito de Matinha”, trata – se do ex vereador da
cidade Florismar Bastos e que é pretenso candidato a prefeito nas eleições municipais
de 2028, uma festa popular embalada pelo reggae maranhense ao som do “Leão
Indomável”, a radiola Irie FM Vip Lion o evento assumiu ares de espetáculo
político. Entre música, aplausos e uma população convocada para um momento de descontração
regado reggae, churrasco e cerveja, consolidou-se aquilo que adversários
passaram a chamar de o ato do “pão e circo”: uma estratégia de Braide de
misturar entretenimento, forte presença popular e discurso político para
sedimentar sua imagem no interior.
Vale ressaltar que ao chegar na cidade, o pré-candidato teve uma recepção comandada pela ex-prefeita da cidade a comunista Linielda Nunes Cunha, conhecida como Linielda de Eldo (PcdoB) e aliada de primeira hora do também comunista Marcio Jerry, deputado federal e tido como o porta voz do grupo “dinista” no estado. Em ambos os atos, o roteiro foi semelhante: grande mobilização popular, forte apelo regional e discursos cuidadosamente construídos para apresentar Braide como alternativa de “renovação administrativa”.
O abandono silencioso de Camarão
Até
poucas semanas atrás, parte significativa dos deputados ligados ao
ex-governador Flávio Dino defendia publicamente a construção da candidatura de
Felipe Camarão como nome de continuidade do campo progressista. Camarão
aparecia como ponte entre o “dinismo”, o “lulismo” e setores da esquerda
institucional.
Contudo,
a decisão do PT nacional de insistir no projeto próprio, sem conseguir até aqui
transformar Camarão em uma candidatura de massa, produziu um efeito inverso: em
vez de fortalecer, expôs a fragilidade do vice-governador dentro do próprio
campo aliado.
Nos
bastidores, a avaliação é dura: Felipe Camarão tem partido, tem discurso e tem
padrinhos, mas ainda não conseguiu provar musculatura eleitoral fora da bolha
governista. Sua pré-campanha continua excessivamente dependente de Brasília e
da tutela do presidente Lula, enquanto no Maranhão a militância política começa
a fazer contas pragmáticas sobre viabilidade e sobrevivência.
É
justamente nesse ponto que Eduardo Braide passa a ser visto como porto seguro
por setores antes identificados com Dino.
Braide vira o novo ponto de convergência
Líder
nas pesquisas espontâneas e dono de uma gestão bem avaliada em São Luís,
Eduardo Braide conseguiu o que parecia improvável até o ano passado:
transformar-se em eixo de convergência de políticos de matizes ideológicos
distintos.
Sua
estratégia tem sido simples e eficiente ocupar o interior, municipalizar o
debate e oferecer palanque aos insatisfeitos sem exigir, por enquanto,
fidelidade partidária formal.
Ao
receber Carlos Lula e Júlio Mendonça em suas agendas, Braide manda dois sinais
importantes:
ao
eleitorado, demonstra que sua pré-campanha deixou de ser um projeto isolado da
capital e ganhou capilaridade estadual;
à
classe política, mostra que já existe migração em curso dentro da base dinista,
especialmente entre aqueles que não enxergam em Camarão capacidade real de
enfrentamento em 2026.
Na
política, símbolos importam e a imagem de deputados historicamente vinculados
ao dinismo dividindo palanque, sorriso e discurso com Braide fala mais do que
qualquer nota oficial.
Dinismo rachado e sem rumo único
O
episódio também escancara uma realidade até então tratada com cautela: o grupo
político construído por Flávio Dino já não opera mais em unidade automática.
Com
Dino em Brasília e afastado da articulação cotidiana maranhense, suas antigas
trincheiras começam a agir por instinto de preservação. Sem uma liderança local
que centralize decisões e sem certeza sobre a viabilidade de Felipe Camarão,
deputados, prefeitos e lideranças regionais passam a testar novas rotas.
Há
hoje, claramente, três movimentos dentro do dinismo:
os
que ainda defendem fidelidade integral a Camarão;
os
que aguardam o desenrolar das pesquisas antes de tomar posição;
e
os que já iniciaram a travessia para Braide.
Carlos Lula e Júlio Mendonça, ao que tudo indica, decidiram não esperar a maré baixar.
Cenário:
Camarão isolado, Brandão observando e Braide avançando, enquanto Felipe Camarão
tenta vender a narrativa de candidato natural da esquerda, Eduardo Braide
cresce como opção competitiva de centro, atraindo inclusive quadros
progressistas descontentes.
No
meio desse tabuleiro, o governador Carlos Brandão observa atentamente e assiste
ao enfraquecimento da pré-candidatura petista e à erosão do dinismo sem
precisar mover muitas peças, é recorrente nos bastidores que o próximo a
engrossar o caldo de Braide e deixar o camarão ser levado pela maré é Othelino,
aquele que não aparta, que já se organiza com os prefeitos ligados a ele um
evento no final do mês de Maio com declaração de apoio a Braide.
A maré política mudou
O
fim de semana mostrou que a política maranhense entrou em período de maré alta
e correnteza forte.
Felipe
Camarão, que imaginava navegar com o impulso do PT nacional, vê agora sua
embarcação enfrentar deserções antes mesmo da largada oficial.
Eduardo
Braide, por sua vez, aproveita o vácuo, amplia sua frotilha e vai transformando
agendas populares em demonstrações de força.
No
Maranhão, a pergunta já não é mais se Braide será candidato competitivo, a
pergunta que ecoa entre prefeitos, deputados e lideranças é outra:
quantos
ainda permanecerão no barco de Camarão até as convenções?

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