A
reação de aliados do ex-governador Flávio Dino aos atuais pedidos de empréstimo
do Governo do Maranhão tem chamado atenção pela evidente contradição política.
Os mesmos grupos que hoje fazem críticas duras às operações de crédito foram,
no passado recente, defensores entusiasmados dos empréstimos contratados
durante a gestão dinista.
Entre
2016 e 2018, o governo Flávio Dino realizou quatro operações de crédito junto a
instituições financeiras, somando quase R$ 600 milhões. Na época, o discurso da
base governista era de que os recursos eram necessários para investimentos e
equilíbrio administrativo.
Um
dos episódios mais emblemáticos envolve o atual pré-candidato ao governo,
Eduardo Braide. Então deputado estadual e líder do chamado “Blocão” na
Assembleia Legislativa, Braide atuava em alinhamento com a base de sustentação
do governo e chegou a relatar um dos pedidos de empréstimo encaminhados por
Dino.
Outro
nome que também mudou completamente de posição foi o deputado Othelino Neto.
Quando presidia a Assembleia Legislativa, conduziu a tramitação das operações
de crédito do governo dinista sem qualquer resistência. Hoje, na oposição,
tornou-se um dos principais críticos dos mesmos mecanismos que antes ajudava a
aprovar.
A
mudança de discurso reforça a percepção de que, para parte da classe política,
a opinião sobre empréstimos depende menos do mérito das operações e mais de
quem ocupa o Palácio dos Leões. O que antes era tratado como instrumento
legítimo de gestão agora virou alvo de ataques, revelando uma incoerência
difícil de ignorar.

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